Passamos boa parte do dia sentados: diante do computador, em reuniões, no carro, no transporte público ou até mesmo no sofá. E quando aparece aquela dor no pescoço, nas costas ou nos ombros, é comum procurar imediatamente um culpado: a cadeira, a altura da tela ou a postura. Mas será que o problema está apenas em sentar “errado”?
A ciência tem mostrado que existe outro fator importante nessa equação: o tempo que permanecemos parados. Um estudo publicado em julho de 2026 no periódico Sport Sciences for Health analisou a relação entre atividade física, comportamento sedentário, estresse psicológico e distúrbios musculoesqueléticos. Os resultados reforçam que ficar longos períodos em comportamento sedentário pode fazer parte de um conjunto de fatores relacionados às dores e aos problemas musculoesqueléticos.
Isso muda um pouco a maneira como pensamos em ergonomia. Uma estação de trabalho perfeitamente ajustada é importante, mas ela não transforma oito horas de imobilidade em uma rotina saudável. Mesmo uma postura considerada adequada pode se tornar desconfortável quando é mantida por tempo demais. O corpo humano foi feito para se movimentar, alternar posições e distribuir as cargas ao longo do dia.
Outro estudo publicado em julho de 2026 no PLOS ONE ajuda a ilustrar esse ponto. Pesquisadores avaliaram diferentes posições sentadas durante o uso de smartphones e observaram alterações na postura cervical e do tronco, no desconforto percebido e no risco ergonômico. A pesquisa reforça que a posição adotada e a forma como permanecemos nela podem influenciar a sobrecarga musculoesquelética.
E quanto tempo passamos realmente sentados?

Você sabe quantas horas do seu dia passam praticamente sem movimento?
Um estudo nacional baseado na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostrou que 30,1% dos adultos brasileiros relataram permanecer em comportamento sedentário por seis horas ou mais por dia. O mesmo levantamento encontrou que apenas 8,6% atendiam às recomendações de atividades de fortalecimento muscular.
Na prática, isso significa que pensar em ergonomia não deveria ser apenas escolher uma cadeira melhor ou ajustar a altura do monitor. É preciso criar oportunidades para interromper períodos prolongados de imobilidade: levantar para beber água, caminhar durante uma ligação, alternar entre atividades sentado e em pé, fazer pequenas pausas ou simplesmente mudar de posição ao longo do expediente.
Esse conceito também ajuda a abandonar uma visão excessivamente rígida sobre “postura perfeita”. Não existe uma única posição que o corpo precise sustentar durante horas. Mais importante do que permanecer imóvel em uma posição considerada ideal é permitir que o corpo se movimente, alterne cargas e tenha momentos de recuperação.
Levar essa discussão para dentro das empresas é uma forma concreta de transformar ergonomia em promoção de saúde. Workshops, palestras e programas corporativos podem ajudar os colaboradores a entender melhor o impacto do comportamento sedentário e, principalmente, a transformar conhecimento em pequenas mudanças possíveis durante a jornada de trabalho. Cuidar da saúde no ambiente corporativo não significa apenas corrigir a postura: significa criar uma cultura que favoreça movimento, prevenção e qualidade de vida.
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Bianca Vilela
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BIANCA VILELA é autora do livro Respire, palestrante, mestre em fisiologia do exercício pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e produtora de conteúdo. Desenvolve programas de saúde em grandes empresas por todo o país há quase 20 anos. No Canal Saúde, Bianca fala sobre saúde no trabalho, produtividade e mudança de hábitos. Não deixe de visitar o Instagram: @biancavilelaoficial








